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Em casa: estratégias para uma nova rotina

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Para os milhares de portugueses que, todos os dias, estavam habituados a uma rotina de casa-trabalho-casa, o quotidiano mudou rapidamente nas últimas semanas. De repente, o pensamento fugaz que passava pela cabeça de muitos, de poder ficar “só um dia em casa”, tornou-se numa realidade imposta. Querer e ter são verbos bem diferentes e, quando um agregado familiar se vê em convivência 24 horas ininterruptas no mesmo espaço, é preciso criar novas rotinas e novas estratégias. Também aqueles que moram sozinhos têm de criar novas formas de manter a sua vida o mais normal possível. Não há fórmulas certas, mas há pontos cruciais nos quais, com mais ou menos ajustes, se devem todos focar.

Casa vs. trabalho vs. escola

De um dia para o outro, a casa que só via de manhã e à noite tornou-se também escola, para os mais novos, e empresa, para os mais velhos. Os familiares tornaram-se simultaneamente colegas de escritório, com a agravante de os assuntos serem tão díspares que não ajudam à concentração.

Quer seja este o cenário ou quer estejas sozinho em casa, a principal dica é estabelecer zonas de trabalho, um espaço físico – mesmo que seja só um lugar definido na mesa de jantar. Com crianças e aulas online, o melhor é mesmo que cada um fique no seu quarto ou em zonas separadas, para se conseguirem concentrar e para dar algum espaço para os progenitores conseguirem, também, trabalhar a partir de casa. Claro que este conselho tem exceções: com crianças mais pequenas ou que se distraiam facilmente, uma supervisão mais apertada, na mesma divisão, garante que eles estão a cumprir com as tarefas e que têm, sempre que necessário, a ajuda presencial de um adulto.

Evitem a aglomeração de papéis e livros e computadores em espaços que costumam usar para lazer, para ser mais fácil estabelecerem a diferença entre casa, escola e trabalho.

As refeições

Para quem estava apenas acostumado a tomar pequeno-almoço e jantar em casa, esta é também uma questão que acaba por se tornar um quebra-cabeças. No escritório, com uma hora para almoçar, a marmita ou uma refeição fora eram a solução. Na escola, as crianças eram alimentadas sem preocupações. Agora, é preciso gerir almoço, bem como lanches.

A recomendação é que tentes, se possível, manter a mesma rotina que havia quando não estavam em casa. Ou seja, se fazias sempre jantar de forma a sobrar para o almoço seguinte, faz igual, mas agora em quantidades para todos. Se ao fim de semana preparavas as marmitas para toda a semana seguinte, continua a fazê-lo. E se preferes mesmo comida acabada de fazer, escolhe a ementa no dia anterior, deixa o máximo de ingredientes preparados, e opta por almoços rápidos de cozinhar (20 minutos no máximo) para manteres os horários.

Arrumar, arrumar, arrumar

É inevitável: mais pessoas em casa e mais multifuncionalidades nas divisões resultam em mais coisas para arrumar. A somar a isso, tanto tempo numa casa dá a sensação de que deveríamos arrumar. Só a roupa. Ou só os brinquedos dos miúdos. Ou só a estante de DVD na qual não tocamos desde 2009.

ERRADO! Estar em casa, mas com emprego, significa que não é ali que deverias estar. Logo, não podes acumular ao stress do teletrabalho o stress de querer tudo sempre impecável! Tenta encontrar um equilíbrio. Definir, por exemplo, o tempo que demoravas em transportes até ao emprego e usar esse tempo para cuidar do que se foi acumulando, mas nem mais um minuto! O resto das tarefas organiza segundo a tua agenda mais normal, até para ser mais fácil quando regressares a ela!

Me time, you time, we time

A vida nunca se resumiu apenas a trabalho e casa e não é agora que deve passar a ser assim. As crianças tinham as atividades extracurriculares, os adultos tinham a hora do ginásio ou o café depois do trabalho, havia encontros, exercício, tempo de lazer. Numa casa, pode tornar-se mais difícil, para as famílias, ter-se “tempo a sós” e, para os que moram sozinhos, ter-se “tempo de socializar”.

Para quem mora acompanhado, devem implementar horários, que não precisam de ser rígidos, para cada um destes tempos. Por exemplo, podem definir duas horas por dia em que as crianças podem brincar, pintar, jogar computador e, nesse período, os adultos aproveitam para fazer desporto em casa, para ver uma série ou para ler um livro. Depois, criem atividades para fazerem também todos juntos, como um concurso de dança ou uma receita de um bolo. Tirem também algum tempo para ligarem à família mais alargada, para se certificarem de que está tudo bem e manterem a ligação sem as tradicionais visitas de fim de semana.

Para quem está nesta situação sozinho, o melhor mesmo é criar rotinas com os núcleos mais próximos. Familiares ou amigos que podem fazer encurtar a distância com uma videochamada, ou com jogos online que os façam estar em contacto, ainda que não estejam perto.

Saúde, esse bem tão precioso

Por último, mas não menos importante: a saúde é tema do dia por uma pandemia que nos preocupa e nos deixa em estado de alerta. É uma doença nova, para a qual não há ainda muitas respostas. Toda a rotina mudou e ao medo dos riscos da doença começam a somar-se medos de incerteza, a ansiedade de se estar confinado. É importante não descurar a saúde mental, falar sobre o que te preocupa e procurar ajuda nesse sentido. Quer seja apenas desabafar com os teus amigos, ou procurar ajuda profissional – há muitos psicoterapeutas a fazer consultas online –, o importante é que estejas consciente do que se passa no mundo e que te protejas, mas que não deixes que te consuma e que procures estratégias para lidar com a situação. Este conselho estende-se às crianças: estar atentos a mudanças de humor ou a um maior isolamento, esclarecer consoante a idade o que se está a passar e promover sempre o diálogo para que a normalidade seja possível, mesmo num tempo de exceção.


Textos, Edição e Revisão: Cofina Media, S.A | Imagens: Cofina Media, GettyImages e iStock

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