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Quero ser freelancer: e agora?

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Ser dono do próprio tempo, ter liberdade criativa ou mudar de rumo. Ser freelancer dá-nos mais flexibilidade, mas também exige uma melhor gestão. Afinal, as fronteiras entre o profissional e o pessoal esbatem-se, a nível de tempo e de espaço, quando não temos horários e local definidos por alguém. Soma-se a isto, claro, a vertente financeira, já que não há um ordenado fixo ao final do mês. Ser freelancer tem, como todos os trabalhos, vantagens e desvantagens, mas uma coisa é certa: é, literalmente, uma situação de run for your money. De outra forma, corre-se o risco de, no fim do mês, não haver dinheiro na conta.

Quanto tempo o tempo tem?

A gestão do tempo é uma das vantagens mais imediatas de se trabalhar como freelancer, mesmo antes de remuneração. Deixa de haver a obrigatoriedade de estar num espaço “das nove às cinco” (ou outros horários, ainda mais extenuantes), de acumular horas extras com deadlines definidos por terceiros, de marcar presença mesmo nos dias em que não há nada para produzir.

Poder gerir o tempo é, claro, uma vantagem, mas é preciso pôr a tónica na palavra “gestão” e não em “tempo”. Ou seja, estar por conta própria não significa que o tempo é ilimitado e que tudo é adiável. É imperativo que o negócio tenha horários, ainda que possam ser bastante mais flexíveis. Isto significa definir horários para se dedicar ao trabalho – quer para começar como para acabar. O planeamento de reuniões deve também entrar na agenda, bem como os deadlines de cada trabalho e as possíveis tarefas de aprendizagem. Por exemplo, se um curso de fotografia é imperativo para levar o negócio a outro patamar, deves agendar a formação em dias sem trabalhos agendados, mas em horário “laboral”, para não deixar que o trabalho se imiscua na vida pessoal.

É importante, claro, ser-se flexível, sobretudo no princípio. Se um negócio está em fase de crescimento, é provável que exija um maior investimento de tempo. Para se marcar presença no mercado, não é boa política recusar algum cliente apenas por não se encaixar no timing. O truque será compensar depois: se trabalhamos uma noite, podemos facilmente ficar até mais tarde em lazer na manhã seguinte.

Com o tempo, gerir o tempo será mais fácil. Vai-se ganhando conhecimento do mercado, das horas e dias que cada setor mais privilegia e moldando-se a rotina laboral.

Let’s talk about money

Quando ainda não se entrou no mercado de trabalho ou face a uma situação de desemprego, trabalhar como freelancer parece a opção mais fácil – afinal, pouco dinheiro é sempre melhor do que nenhum. Mas quando se tem um emprego estável, com contrato de trabalho e ordenado fixo, a balança acaba por estar mais equilibrada. Entre a estabilidade e a realização, entre um certo “mais ou menos” e um incerto que pode ser muito melhor ou muito pior, dá-se o salto ou fica-se no mesmo sítio?

O primeiro passo económico na aventura do freelancer é fazer contas. Quanto é que se poderia cobrar pelo trabalho que se quer fazer? Quais seriam as perspetivas de retorno nos primeiros meses? Mais importante: há dinheiro disponível para suportar os primeiros tempos de despesas laborais e não mexer com a dinâmica familiar? Um cartão de crédito pessoal, como os do WiZink, pode ajudar ao investimento inicial do negócio, mas é preciso assegurar que o investimento começa a render.

A partir do momento em que se começa a ser prestador de serviços independente, deve-se abrir atividade nas finanças. Há a obrigatoriedade de fazer a retenção na fonte e pagar o IVA de 23%, a menos que aufiras menos de 12.500 euros por ano – este valor foi atualizado com o novo Orçamento de Estado; antes, o valor limite era de 10.000 euros. Atenção: quaisquer despesas inerentes à atividade profissional devem ser associadas, para depois serem tributadas no IRS de forma específica. Para a Segurança Social, o desconto fixa-se em 21,4% dos rendimentos. Estas contribuições são pesadas, mas são uma forma de se garantir proteção social a quem opta por trabalhar por conta própria.

Quando se começa a atividade, é imperativa a criação de uma conta bancária exclusiva para o negócio. A justificação é simples: envolver os pagamentos na conta pessoal faz com que os movimentos aumentem, é mais fácil perder a noção de quando e quanto dinheiro se está a faturar e é mais fácil ir gastando. Se houver uma conta exclusiva, consegue-se manter um registo mais preciso de receitas e gastos. Depois, deve-se tentar ao final do mês tirar sempre o mesmo valor, como se de um ordenado se tratasse. Isto assegura que, em meses em que o trabalho escasseia, haja dinheiro para fazer face a despesas e para equilibrar o orçamento.

E já que falamos de dinheiro, é preciso falar de preços. Os pagamentos de freelancers são muito díspares, consoante o setor, a complexidade, ou o tempo que se despende. Primeiro, deve-se definir se a tabela se fixa por tempo ou por trabalho – nos setores em que tal é possível. Depois, a melhor forma de se fixar um valor é avaliando a concorrência. Quanto é que é cobrado, em média, pelo trabalho que vais desempenhar? Nesta ponderação, a experiência no ramo e a recetividade devem entrar nas contas. Se, após dois ou três meses, os clientes não começarem a chegar, talvez esteja na hora de uma promoção flash!

Trabalhar onde quiser… mas isso é onde?

Nos primeiros tempos, trabalhar a partir do conforto de casa parece uma bênção. Não há obrigatoriedade de escolher roupa, podemos ir cobrindo algumas tarefas domésticas nos tempos mortos, não temos de enfrentar o trânsito de manhã e ao final do dia… Com o tempo, tudo isto pode virar copo meio vazio: andamos sempre vestidos da mesma forma, fazemos tantas coisas entre trabalhos que estamos continuamente a trabalhar para a casa, e nem ao tempo no trânsito para refletir temos direito.

Quando se opta por trabalhar a partir de casa, é necessário estabelecer rotinas que separem o trabalho da vida doméstica. Definir um espaço para desenvolver os projetos – quer seja uma divisão inteira, como um escritório, ou um espaço fixo numa divisão, como uma parte da mesa de jantar – ajuda a separar as tarefas. Ir trabalhar pontualmente para um espaço público, como um café ou uma biblioteca, é também uma forma de concentração inteiramente nas tarefas laborais. E, muito importante: as reuniões com possíveis parceiros ou clientes nunca devem ser feitas em espaços domésticos. Dá um ar pouco profissional e quebra a barreira desejada.

Mas há outras opções. Os espaços de co-working são cada vez mais comuns. Neles, há mesas comunitárias, pequenos escritórios ou salas de reuniões. Basta arrendar aquilo que mais se adequa a cada negócio. As vantagens são, além da separação física entre trabalho e casa, o espirito comunitário. Não há obrigatoriedades contratuais com os outros co-workers, mas há a familiaridade de caras conhecidas, o ambiente mais formal e até a entreajuda. Por último: estes espaços podem ser muito úteis para aumentar a rede de contactos e até criar parcerias.

Em casa, em espaços de co-working ou em espaços públicos, deve-se ter sempre em atenção a acessibilidade à rede – imprescindível nos dias de hoje –, o ruído e o movimento, bem como a acessibilidade a serviços que podem ser necessários.

O negócio é excelente, mas ninguém o conhece

Este é outro problema muito comum para quem se quer lançar “a solo”. A ideia tem tudo para dar certo, há meios para investir no negócio, há metodologia para conseguir criar rotinas e levar o barco a bom porto. Mas um one-man – ou woman – show tem mais dificuldades em “vender-se” que uma empresa.

A resposta está em duas apostas: nas redes sociais virtuais, e na rede social real que se foi criando ao longo da vida. Sim, um bom passa-palavra nunca fez mal a ninguém. Estás familiarizado com a teoria dos seis graus de separação? A teoria é que cada ser humano está a seis laços de conhecimento de outra pessoa qualquer. Sim, no mundo todo. Isto significa que, quando um freelancer fala do seu trabalho, há potencial para chegar a qualquer pessoa, quer seja alguém que necessita desses serviços, que quer investir, que quer fazer uma parceria…

Quanto às redes sociais, é quase desnecessário explicar, mas criar perfis profissionais nos quais se divulgue o trabalho e as apetências faz com que as probabilidades de fazer match cresçam. Muito importante: gerir uma rede social profissional, ainda que seja só uma pessoa, significa que não se deve misturar a vida pessoal. A criação de um site, com portefólio, também ajuda à divulgação.

E, mais old school, mas ainda bastante apreciado: cartões de contacto! Podem parecer inúteis e datados, mas nunca sabemos quando é que alguém o pode encontrar no bolso e perceber que o teu trabalho era mesmo o que ele precisava!

Textos, Edição e Revisão: Cofina Media, S.A | Imagens: Cofina Media, GettyImages e iStock Photo

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